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Canto do Galo - Eduardo de Ávila
 
06/07/2015 - Jogo pra queimar minha língua
 

Queimei e ainda dei uma mordida na língua. Se sangrou eu nem sei, mas gostei e apreciei a dor que isso me causou. Coincidentemente, no almoço de domingo, dei uma inexplicável dentada que doeu muito. Não percebi, entretanto, que era o anúncio do que me esperava no final do dia. Ganhar do Internacional, dentro de Porto Alegre, com dois gols do Maicosuel e o outro do Tiago Ribeiro, foi simplesmente sensacional. Esperava e acreditava nos três pontos, mas confesso, não com essa construção.

Fosse eu treinador, Maicosuel, que nem começaria jogando, ficaria neste caso pelo vestiário no intervalo. Depois de um primeiro tempo tenso e chato, o Galo voltou e se soltou ainda mais depois da expulsão de um jogador colorado que – acintosamente – soltou um palavrão para o bandeirinha. O Galo já vencia e daí pra frente tomou conta do jogo.

Lembro-me de registrar aqui mesmo, quando da segunda partida com o mesmo Internacional em Porto Alegre e pela Copa Libertadores, que o Galo jogou muito mais e foi infeliz em lances ocasionais. Tai a confirmação. Os gaúchos, deste time colorado – torcedores, dirigentes, jogadores e funcionários do Beira Rio, são provincianos. Naquela oportunidade, os Atleticanos – como eu – que foram a Porto Alegre foram provocados e insultados desde a chegada no estádio até depois da partida. Até gente que trabalhava dentro do gramado fez gestos para a nossa Torcida. Repito, provincianos!

Foi a quarta vitória consecutiva do Galo, depois de dois tropeços com times que rodeiam a zona do rebaixamento. A derrota no clássico mineiro e o empate com o Santos foram resultados atípicos e o Galo recuperou. Se em anos anteriores o time fazia a diferença em Belo Horizonte, mas capitulava nos jogos fora, agora dos 23 pontos conquistados e que coloca o Galo na liderança da competição, 13 foram fora da capital – considerando aquela partida com o Fluminense que a CBF impôs – e dez em BH. Dos onze jogos, apenas cinco aconteceram ao lado da Torcida Atleticana.

Embora eu seja um crítico de determinadas decisões e determinações do treinador Levir Culpi, reconheço que a condição atual é toda creditada a ele. Questiono sim, por exemplo, a manutenção de jogadores como o Dátolo (que só não está atuando por problema médico), Maicosuel e Tiago Ribeiro, exatamente os artilheiros da última vitória, e ainda Carlos e Giovanni Augusto. É bem verdade que além do Dátolo, dois outros que seriam titulares absolutos – Marcos Rocha e Luan – ainda permanecem em recuperação.

Tenho convicção que com a volta deles, a reintegração do Guilherme, e a chegada de dois outros jogadores, o time estará pronto para o restante do ano. Dois, sem entrar no mérito de posições, mas como bem pude ouvir o próprio treinador: “que venham para brigar por lugar na equipe e ser titulares”, pois com atleta apenas para compor o plantel não vejo nenhuma necessidade. Deixo, então, de lado minhas críticas ao Levir e acompanho sua opinião. Mas, por amor, não seja tão teimoso. Prefiro Carioca e Donizete ao Dátolo.

Foram duas grandes vitórias na semana. A última só não foi sofrida pelo placar que acabou sendo dilatado, mas frente ao Coritiba – com todo respeito – foi um jogo horroroso, como já havia sido na vitória sobre o Joinvile.  Tem coisas que não consigo entender. Por exemplo, como o contestado e amado Patric consegue alterar jogadas geniais e – na seqüência – praticamente pisar na bola? Outra situação de jogo que tem assustado. O excesso de bolas recuadas para o Victor. Em muitas delas causando transtorno e colocando time e Torcedor em pânico. Enfim, apesar de questionar, confio no time e no título. O Galo ainda via crescer e muito na competição.

Por incrível que pareça, apesar de também ser crítico aos juízes, o paulista Raphael Claus e seus auxiliares não comprometeram neste jogo com o Inter. O mesmo não posso dizer em relação ao trio catarinense que trabalhou na quarta-feira contra o Coritiba. Bráulio Machado e seus dois bandeiras Helton Nunes e Rosnei Hoffmann Scherer foram péssimos.

O juiz expulsou equivocadamente o treinador Ney Franco, após um xingamento que ouviu, que na verdade foi do lateral Henrique. Atabalhoadamente ele colocou o comandante do time paranaense pra fora. Alertado pelo bandeira Helton amarelou Luccas Claro. Ora, a motivação era o xingamento. Além de ter aplicado ao atleta errado, como aplicou expulsão ao treinador e apenas amarelo ao jogador? O fato gerador era o mesmo.

Já o cartão amarelo aplicado ao Atleticano Léo Silva, foi intempestivo, e só mostrou depois das reclamações de jogadores adversários. Falta normal de jogo.