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Erasmo Angelo - Toque de Primeira
 
01/11/2015 - Agonia dos campeonatos estaduais
 

Alguns dos grandes clubes brasileiros finalmente começam a perceber que campeonato estadual já não dá mais.

Aliás, uma inutilidade que já dura anos.

A decisão de se disputar o torneio Rio-Sul-Minas, tomada por grandes como Cruzeiro, Atlético, Grêmio, Inter, Flamengo, Atlético-PR, Fluminense e Coritiba abre a possibilidade de se sepultar de vez os estaduais.

CBF e federações esperneiam. Principalmente as federações, entidades tão inúteis quanto as competições que elas organizam.

O bom é que aqueles clubes decidiram, por enquanto, peitar a CBF e organizaram o torneio, embora pairem sobre eles as tolas ameaças dessas federaçõs estaduais, que agora querem obrigar os grandes envolvidos no Rio-Sul-Minas a escalarem em seus campeonatos os times titulares.

Como faz a Federação do Rio, que ameaça não pagar cotas das tevês se os grandes de lá não entrarem em campo no estadual carioca com seus times titulares. Uma idiotice, uma barbaridade descomunal.

Se os clubes afinarem, irão perder a grande chance – surgida na rebelião do Rio-Sul-Minas – de também atropelarem as federações estaduais, uma vez que está em jogo, como prioridade absoluta, os interesses econômicos e financeiros destes clubes.

Clubes estes que durante décadas ficaram subjugados, submetidos e escravizados a regras administrativas impostas por entidades (FIFA, CBF, Federações) que, nos tempos atuais, estão manchadas pela falta de ética e pela corrupção que envolve vários de seus dirigentes.

Os medonhos Campeonatos Estaduais fazem parte deste rol arcaico de medidas impostas pela CBF e pelas federações aos clubes, que os aceitam por culpa deles mesmos; por comodismo ou falta de coragem de seus dirigentes, incapazes de buscarem soluções arrojadas e criativas que os tirem das amarras tirânicas e da incompetência daquelas entidades.

Por isso, o torneio Rio-Sul-Minas é um alento; uma luz que começa a iluminar o caminho de um futebol brasileiro que só voltará a ser grande e a se impor no futebol mundial na medida em que os clubes o dominarem administrativamente e relegarem CBF e federações a meros escritórios de burocracia e de guarda de papelada. De comando, nunca.

HONRA ? – Inventaram por ai (parece que foi coisa de Levir Culpi), que este Atlético x Corinthians de domingo “é o jogo de honra para o Atlético”.

E a nossa mídia, sem saber criar algo melhor, acompanhou o refrão e tá todo mundo com microfone na mão falando em “jogo de honra”.

Honra?  Por qual razão? O que tem a honra a ver com um jogo de futebol que vai reunir os dois melhores times do Brasileirão?

Honra é princípio ético, moral, honestidade, dignidade, integridade. Por que este jogo com o Corinthians virou questão de honra? Não dá para entender.

PÚBLICO – Ainda a nossa mídia. Também causou espanto a euforia com  que repórteres anunciaram que os 20 mil ingressos para Atlético x Corinthians estavam esgotados. Parecia que estávamos diante de um fato espetacularmente grandioso no nosso futebol.

O que causa tremendo espanto, isso assim, é constatar que um jogo deste porte, com tamanho apelo emocional, tenha a assisti-lo a mixaria de um público de apenas 20 mil torcedores quando se sabe que três vezes mais poderiam estar em festa, no Mineirão.

Nossa mídia, contudo, preferiu comemorar os 20 mil do Horto. Lamentável.