Procurar      
Inglês       Espanhol       Francês
Erasmo Angelo - Toque de Primeira
 
04/12/2015 - Sérias questões atleticanas
 

Um novo ano está chegando e com ele um calendário apertadíssimo para o Atlético, no qual o clube estará envolvido, entre outras, nas duas máximas competições da temporada: Copa Libertadores e Campeonato Brasileiro.

Os avanços atleticanos quanto a títulos tiveram culminância, na sua trajetória histórica, em 2013, com a Copa Libertadores, e no ano passado com a Copa do Brasil.

Antes disso – e em se falando de títulos memoráveis – a maior conquista foi a de 1971, há 44 anos, com o Campeonato Brasileiro.

A temporada deste ano de 2015, que chega ao fim, rendeu muito pouco ao Atlético. Fracassou na Libertadores e luta pelo vice no Brasileiro, amargando uma distância quilométrica (14 pontos)  do campeão Corinthians.

Mas a temporada trouxe fatos relevantes sobre questões atleticanas e que mereceriam uma análise fria por parte de seus torcedores e diretoria.

Uma dessas questões, que incomodam a quem observa o futebol sem a passionalidade que faz parte do seu próprio contexto, é a mania atleticana de se vitimizar.

Quando surge algo terrível à frente ao Atlético ou algo que lhe golpeie duramente, a primeira reação é de fazer-se  vítima, lastimar-se como vítima.

Inclusive com respaldo de alguns da imprensa, para quem “a vida do Atlético é só obstáculos”, como se derrubar obstáculos não fosse a sina de todos os grandes clubes.

Na sua grandeza, é preciso que o Atlético e os atleticanos deixem de lado a velha mania de achar que tudo e todos estão contra o clube.

Foi dentro desta visão pequena que o demitido treinador Levir Culpe acabou dando um eficiente combustível ao Corinthians (incontestável campeão) ao afirmar, após a metade do Brasileirão, que a competição estava “manchada”  por ele ver um conluio da arbitragem em favor do time paulista quando, na verdade, a arbitragem foi ruim demais para todos.

Ao ofender e injetar ânimo moral ao principal rival da busca pelo título, o treinador acabou atrapalhando seu próprio time com escalações e alterações que complicaram o time na reta final da competição.

Na sua grandeza, o Atlético precisa deixar de se passar por vítima e se posicionar de acordo com sua tradição, a de agressor tático e técnico dos rivais. E quando vier a adversidade, superá-la com a força de grande clube que é e jamais cair em lamúrias.

Essa força descomunal que tanto apavorava os adversários, também precisa fazer a torcida atleticana deixar de lado o tal “eu acredito”, coisa que, na verdade e como assim se posicionaram até cronistas fora de Minas, fica bem para torcida de time pequeno.

Ora, quando o grande Atlético tiver pela frente outros gigantes do nosso futebol, como Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Inter e outros do mesmo porte (daqui ou do exterior), o “eu acredito” não faz nenhum sentido.

Contra estes e contra todos os demais grandes clubes que tiver pela frente, a força atleticana o coloca, isto sim, na condição de favorito. O “acreditar” é literalmente dispensável porque, quando está em campo e contra qualquer adversário – grande ou pequeno – é o rival que vai tremer e “acreditar” que terá alguma chance diante do poderoso Atlético.

O “eu acredito” é para ser gritado, isto sim, pela torcida de qualquer adversário atleticano que, em campo, terá que se sentir inferiorizado ao sentir o peso da força do Atlético. Derrotas, claro, virão, mas mesmo estas acontecendo continuar na trilha do “eu acredito” e jogar com a inferioridade.

Outra coisa superada pelos fatos é o bordão “caiu no Horto, ta morto”. Este ano foram cinco derrotas no Independência.  No penúltimo jogo, um melancólico empate com o fraco Goiás.

A tola superstição do “caiu no Horto” derrotou o Atlético. Técnica e financeiramente.

Incrível como um clube forte, com uma notável massa de torcedores, se apega a uma fantasia para decidir seu destino numa competição.

Como assim se fez ao se levar o clássico contra o Corinthians, decisivo para as então difíceis chances do clube quanto ao título, para o Independência onde o mito do “caiu no Horto” foi sepultado com uma goleada aplicada pelo adversário.

Mais incrível ainda é que isto ocorre no futebol milionário do século 21, no qual os clubes de futebol do primeiro mundo são gerenciados com elevado senso comercial/empresarial.

No imaginário fantasioso que levou a diretoria atleticana a mandar quase todos os seus jogos para o Independência, o clube acabou deixando de faturar mais de R$ 40 milhões.

Vencer ou perder, seja no Horto ou no Mineirão, faz parte do futebol. Mas perder dinheiro, por teimosia ou superstição, é burrice.

Tome-se como exemplo o jogo contra o Corinthians, mantido para o Horto. Fosse no Mineirão (tal o apelo emocional que girou em torno da partida) haveria três vezes mais em público e renda.

É dinheiro demais que se perdeu, levando-se em conta um futebol deficitário como o nosso.

Também neste caso, a grandeza do Atlético– levando-se em conta, principalmente, o tamanho de sua torcida – está a exigir que o clube troque o Independência pelo Mineirão em suas partidas contra adversários de médio a grande porte.

Para o bem da torcida e das finanças atleticanas.

MÍDIA E DINHEIRO – Na sua já rotineira ausência de criatividade, nossa mídia passou a informar, nos últimos dias, que a luta do Atlético, já que o Corinthians foi campeão, era conquistar o vice para garantir o prêmio de R$ 6 milhões da CBF já que se ficar em terceiro, pegaria só R$ 4 milhões.

Ora, ser vice, independente de qualquer coisa, é um bom feito. Mas, para um clube que deixou de faturar mais de R$ 40 milhões na temporada por trocar o Mineirão pelo Horto, ganhar ou deixar de ganhar R$ 2 milhões não faz diferença.