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Erasmo Angelo - Toque de Primeira
 
28/12/2015 - A Copa, a olimpíada e os bravateiros, parte 2
 

Candidatar-se a uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos é tarefa que exige das autoridades do país postulante a sediar tais eventos uma tremenda reflexão ante a responsabilidade quanto aos custos bilionários destas competições.

Lula e Dilma não estão nem ai quando o assunto é gastança. São especialistas inconseqüentes em matéria de fritar o dinheiro do povo.

O bravateiro Lula foi lá na Fifa e depois no COI (Comitê Olímpico Internacional) buscar a Copa e a Olimpíada. E sua pupila Dilma, ora impitchada, avalizou e mandou pagar.

Na cabeça dos dois, o que vale é a festa. Os cofres públicos que se danem.

O doloroso legado da dupla, em todas as áreas, é a pindaíba a que chegou o Brasil. Neste bolo de ilusões e desarranjos de toda ordem, entram também a Copa de 2014 e a Olimpíada Rio 2016.

Autoridades de países com economia forte só admitem o patrocínio de um desses mega eventos após exaustivos estudos e análises que englobam e envolvem todos os segmentos sociais e econômicos, chamados a opinar e decidir sobre a viabilidade de se sediar um evento de tamanho porte.

Há exemplos de toda ordem de quem sonhou com uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada e preferiu deixar as ilusões de lado para se concentrar em outras prioridades.

No futebol, o caro mais espetacular foi protagonizado pela Colômbia que, no  meio do caminho, faltando só dois anos para a disputa da Copa do mundo de 1986, desistiu do evento. E peitou a Fifa, então comandada por João Havelange, com incrível coragem.

O audacioso gesto, de elogiável bravura e baseado nos altos interesses sociais do país, foi tomado pelo então presidente colombiano Belisario Betancur. Empossado no cargo em 7 de agosto de 1982, pouco mais de dois meses depois, em 25 de outubro, ele desistia da Copa do Mundo por entender que o torneio não convinha ao país e que as necessidades da Colômbia eram outras.

Vale a pena registrar trecho do pronunciamento de Betancur ao peitar a Fifa: “Aqui não se cumpriu com a regra de ouro em que a Copa deve servir à Colômbia e não a Colômbia à multinacional Fifa. Por essa razão, a Copa de 1986 não ocorrerá no nosso país. Não há tempo para atender às extravagâncias da Fifa e seus sócios”, disse.

Pergunto: um bravateiro, tipo Lula (ou a pupila Dilma), teria coragem para fazer algo assim?...Nunca.

O México, com as estruturas que possuía desde a Copa de 70, foi escolhido para substituir a Colômbia.

Há outros nobres exemplos. Recorro ao sempre brilhante jornalista Ariosto da Silveira, que em sua recente coluna em O Tempo sob o título “O Canadá e as Olimpíadas do Rio”, fez uma análise da decisão das autoridades da cidade de Toronto, onde ele esteve, de desistir da candidatura a sede das Olimpíadas de 2014.

Foi uma decisão sábia, prática e sem rodeios. A capital financeira do forte Canadá, conta Ariosto, não quis desviar seu dinheiro para as olimpíadas “por ter decidido, acertadamente, em favor de outros objetivos”. Claro, sempre os sociais.

E o Ariosto encerra a crônica enfatizando aquilo que machuca o brasileiro: a gastança inútil. Diz ele: “Enquanto isso, o Rio de Janeiro desvia seus minguados recursos de projetos essenciais e permanentes, como na área de segurança, para obras das Olimpíadas de 2016, candidatas a elefantes brancos....”

Há outras desistências relevantes em relação aos Jogos de 2024. Uma delas é da poderosa cidade alemã de Hamburgo. A questão por lá era tão relevante que a possibilidade de a cidade sediar a Olimpíada foi decidida em um plebiscito e os moradores decidiram, por maioria,que Hamburgo teria que retirar a candidatura por causa dos custos elevados. Os moradores viram que há outras prioridades.

Na Dinamarca, Copenhague não se interessou. Suas autoridades avaliam que investimentos em obras do tipo das exigidas para os Jogos Olímpicos não se pagam e por isso não há interesse em tais investimentos.

A argumentação é basicamente a mesma usada por outras grandes e poderosas cidades para não se candidatarem aos Jogos de 24, como Guadalajara (México), Boston e Nova Iorque (EUA).

Não sediar uma Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos não significaria jamais que o Brasil pudesse ficar ausente dos mega eventos esportivos.

Nada disso. No futebol, apesar de sua lamentável administração, o Brasil foi e será sempre um dos favoritos ao título de uma Copa do Mundo.

Em Olimpíadas, apesar de o governo investir pesados em esportes de alto rendimento ou, como tanto se diz, na “elite esportiva”, os números brasileiros são pífios.

Num período que vai dos Jogos Olímpicos de Pequim aos de 2012, em Londres, os gastos  do governo federal na busca por resultados olímpicos ultrapassaram R$ 2,1 bilhões. Para o Rio-2016 a conta subiu mais ainda.

Apesar dessa grana toda, os resultados esportivos estão léguas de distância da possibilidade de o Brasil ser uma “potência olímpica”. Nos jogos de Londres/2012, o Brasil terminou em 22º lugar com modestas três medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze.

Para as Olimpíadas Rio-2016, não se vislumbra, no terreno das modalidades esportivas, muito mais que isso.

Já no quesito da irresponsabilidade, da insensatez pela obsessão de fazer o Brasil sediar uma Olimpíada a um custo astronômico (como foi a Copa), a medalha de ouro é do bravateiro Lula. A de prata fica com sua pupila Dilma.