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Erasmo Angelo - Toque de Primeira
 
23/01/2016 - O Cruzeiro, Dilma e Aécio
 

Quando o pessoal dos clubes de futebol vai se meter em política, geralmente a coisa vira trapalhada.

A ação do Cruzeiro na ida a Brasília para assinar o contrato de patrocínio da Caixa em seu uniforme, proporcionou um gesto que deixou grande parte de sua torcida “p” da vida.

Todo mundo sabe que dona Dilma, isolada em seu Palácio por causa  de sua tremenda impopularidade, anda aproveitando qualquer brecha em atos fechados para mostrar sua cara. Só não aparece em atos abertos ao público.

Pois muito bem.

 Como futebol é um excelente chamativo para político aparecer junto ao público, pois lá estarão as tevês para registrar e inundar os programas com registro do fato, o governo chamou, na última terça-feira, 19, dirigentes de 10 clubes para assinatura de contratos de patrocínio com a Caixa.

Coisa feita por marqueteiro para Dilma aparecer. Uma garantia de fartas manchetes.

A grana salvadora chega num momento em que os clubes – incluídos na pindaíba que virou lugar comum em qualquer setor de atividades do País (por culpa desse governo) – sofrem com a debandada de patrocinadores de suas camisas.

Um alívio. E já era tempo de a Caixa democratizar seu socorro publicitário ao futebol o que só ocorria, em se tratando de grandes clubes, com Flamengo e Corinthians, que ainda assim faturam o dobro do que foi acertado para Cruzeiro e Atlético (R$ 12,5 milhões/ano).

A negociação não envolveu nenhum tipo de favor. Muito pelo contrário.

É nessa história que entra a lambança cruzeirense. A cúpula do Cruzeiro deve achar que fez uma espetacular jogada de marketing ao entregar a gloriosa camisa do clube à figura mais impopular do Brasil, a atleticana Dilma Rousseff, como assim ela não cansa de se posicionar.

O gesto, que mereceu nos nossos jornais fotos imensas da governanta exibindo a camisa do Cruzeiro, uma delas mostrando as costas da camisa com o número 10 e o nome Dilma logo abaixo, deixou furiosa grande parte dos cruzeirenses.

Com 90% de rejeição entre os brasileiros, Dilma deve ter se deliciado com o tremendo erro de marketing da diretoria do Cruzeiro. Pior ainda é quando se leva em conta que o senador Aécio Neves é presidente de  honra do clube.

Neste ano que nem bem começou, a lamentável gafe cruzeirense ocorre uma semana depois da besteira proporcionada pelo diretor Benecy Queiroz no condenável episódio da tal “compra” de um juiz de futebol.

Pode-se medir a irritação de cruzeirenses com os dois lamentáveis episódios pela quantidade de mensagens, via email, que recebi com críticas e condenações aos casos envolvendo a diretoria do clube, neste ainda curto 2016.

E uma dessas mensagens chega com forte dose de ironia. Diz o autor dela: “Depois da camisa para Dilma e do papelão do diretor Benecy, só  falta agora o presidente Gilvan sair por aí fazendo a campanha de Alexandre Kalil para prefeito de BH”.